Friday, 11 November 2011

Para Cisco, neutralidade de rede não deve impedir diferenciação de serviços

Jeff Campbell, diretor senior da Cisco para assuntos governamentais relacionados a políticas tecnológicas e comerciais esteve esta semana no Brasil. Ele é um dos principais responsáveis pela defesa da posição da empresa em relação a temas como neutralidade de rede, e esse foi um dos tópicos de sua visita ao Brasil.

Para Campbell, o caminho que alguns países do mundo estão seguindo em relação ao tema tende a desestimular investimentos em redes e inovação. entre esses países que segue um caminho preocupante estão os EUA, diz ele.

"O modelo que nos parece mais razoável é o europeu, onde há uma tendência a regular menos a questão da neutralidade e deixar que os órgãos antitruste corrijam, posteriormente, eventuais distorções", diz. Para ele, o "problema" da neutralidade de rede é algo que ainda não existe.

"Alguns países, como os EUA, estão regulando um problema que ninguém sabe se surgirá". Na visão da Cisco, não existe nenhuma polêmica em relação aos princípios básicos de uma rede neutra. "Se o seu conceito é o de que neutralidade é o livre acesso a conteúdos e aplicações e a possibilidade de conectar qualquer dispositivo à rede, desde que isso não seja uma ameaça à integridade física do sistema, não acho que ninguém seja contra.

A polêmica começa quando se discute se por trás da neutralidade está a proibição de que os provedores de rede estabeleçam níveis diferenciados de qualidade de serviço". Para a gigante de Internet, a diferenciação destes níveis de qualidade é que estimula o surgimento de novos serviços e modelos de negócio, e proibir isso é desestimular a inovação. "O problema do modelo norte-americano, por exemplo, é o excesso de justificativas que você precisa apresentar toda vez que vai colocar algum limite na rede", diz ele.

Outro problema, segundo o executivo da Cisco, é que a premissa por trás do argumento de que a rede deve ser absolutamente neutra, sem nenhuma diferenciação de qualidade, é que o consumidor sempre terá que pagar a conta.

"Se você não permite acordos comerciais para diferenciar a qualidade dos serviços, a conta da rede será sempre paga pelo usuário final apenas". Na visão da Cisco, que é alinhada à das grandes operadoras de telecomunicações, seria justo que os grandes provedores de conteúdo, que sustentam seus serviços com publicidade, pagassem uma parte da conta também.

Sobre políticas de garantia de qualidade de serviço, como as que estão sendo criadas no Brasil com a regulamentação da qualidade nos serviços de banda larga fixa e móvel, o grande desafio, segundo a Cisco, é conseguir medir a qualidade para atestar se os parâmetros estão sendo cumpridos.

"Existem centenas de variáveis que podem afetar a performance de uma rede, e estabelecer esses critérios é muito complicado, por isso não vejo muito sentido nesse tipo de regulamentação", diz Campbell.

Para ele, o melhor modelo é o competitivo. "Se você tem dois ou mais competidores na oferta de rede, eles trabalharão para oferecer o melhor ao usuário dentro da viabilidade econômica", diz.

Thursday, 10 November 2011

Procon decide suspender 3 sites de vendas em SP e aguarda recurso

A Fundação Procon SP decidiu suspender as atividades no estado de São Paulo dos sites de vendas na internet das Americanas, Shoptime e Submarino, da B2W Companhia Global de Varejo, pelo período de 72 horas, por reincidir na prática de não entregar os produtos aos consumidores. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (10) no Diário Oficial do Estado de São Paulo, e prevê ainda multa no valor de R$ 1,7 milhão.

De acordo com o Procon, contudo, cabe recurso da decisão, que deve ser apresentado pela empresa em até 15 dias. A suspensão e aplicação da multa só acontecerão após a análise do recurso pelo Procon – ou seja, apenas se for confirmada a decisão.

Segundo o Procon, a B2W teve um aumento de 246% do número de casos relatados à fundação, que passaram de 1.479 atendimentos no segundo semestre de 2010 para 3.635 atendimentos até o primeiro semestre deste ano.

De acordo com a Andrea Sanchez, diretora do Procon-SP, de 2004 até este ano, a fundação já realizou 11 determinações contra a B2W. De 2009 para cá, três delas foram sobre problemas na entrega. "Verificamos que, apesar da existência de processos administrativos e apesar das multas, o problema não só persistiu, como aumentou. Não adianta aplicar somente mais uma multa, já aplicamos nos outros processos e a empresa não mudou a conduta", afirma.

Andrea ressalta que o prazo de entrega é um dos diferenciais que influenciam a decisão do consumidor e, por isso, precisa ser cumprido. "[Se o consumidor soubesse que demoraria mais que o previsto para o produto chegar], ele poderia ter escolhido outra empresa, com preço diferenciado, mas que cumprisse o prazo", ressalta.

Para a especialista, a justificativa de que as vendas aumentaram não pode ser aceitada. "Se aumentou o número de vendas, a empresa tem que ser transparente o suficiente [e falar o prazo real de entrega]", afirma.

O G1 procurou a B2W e aguarda resposta sobre o assunto.

Decisão
De acordo com o texto publicado no Diário Oficial, a decisão homologa um auto de infração e fixa multa de R$ 1.744.320. A decisão "considera agravante com aumento de 1/3 da pena-base, por ser o autuado reincidente na prática de infrações às normas da Lei nº 8.078/90".

Orientação do Procon
O consumidor que tiver problema com entrega de produto e serviços no estado de São Paulo pode procurar um dos postos da Fundação Procon-SP das seguintes formas. Os endereços estão listados no site do Procon:


- Pessoalmente, das 7h às 19h, de segunda à sexta-feira, e aos sábado, das 7h às 13h, nos postos dos Poupatempo Sé, Santo Amaro e Itaquera.


-  Nos postos dos Centros de Integração da Cidadania (CIC), de segunda à quinta-feira, das 9h às 15h.


- Por telefone no número 151 ou por fax ao telefone (11) 3824-0717.
- Por cartas na Caixa Postal 3050, CEP 01031-970, São Paulo-SP.

Redes Sociais: Liberdade de expressão ou abuso?

Os brasileiros são campeões em solicitação de retirada de conteúdo do ar na internet e redes sociais. Por que será? Acredito que somos um povo de opiniões fortes, mais jocoso, acostumado ao fato de que tudo vira pizza e de que formamos um país onde impera a impunidade. Todos estes fatores reunidos permitiram criar um perfil de usuário de “moral mais frouxa”.


A liberdade de expressão precisa ser não apenas exercida, mas ensinada nas escolas. Como se expressar de forma ética e juridicamente correta? Como manifestar sua opinião, seu direito de protesto, sua reclamação de consumidor sem que isso se transforme em um abuso de direito. O limite entre liberdade e prática de crime é bem sutil. E faz toda a diferença a escolha do texto, qual palavra será publicada para expor no mundo, em tempo real, um pensamento.


Precisamos, então, de inclusão digital com educação. Em um contexto de maior acesso a tecnologia com serviços que viabilizam compartilhar informações, produzir conhecimento colaborativo, deve-se saber também quais são as regras do jogo, que vão desde a proteção da reputação e imagem das pessoas até dar o crédito ao autor.


Acredito que a grande maioria das pessoas não reflete muito sobre o que está comentando, publicando, ou melhor, documentando, nas redes sociais. E, infelizmente, é difícil exercer arrependimento, pois o conteúdo se espalha rapidamente, e se perpetua!


A maioria dos casos de solicitação de retirada de conteúdo do ar envolve, principalmente: a) uso não autorizado de imagem; b) ofensa digital; c) exposição de intimidade excessiva (em especial no tocante a menores de idade); d) uso não autorizado de marca; e) uso não autorizado de conteúdo (em geral infringindo direitos autorais).


E então, eis uma questão relevante, como orientar os jovens, que estão na rede social, na grande maioria mentindo a idade? O problema da ética já começa aí. Os serviços destacam a responsabilidade dos pais darem assistência aos seus filhos nos ambientes digitais. Um pai leva um filho ao cinema, mas não sabe o que ele está fazendo na “rua digital”.


A tecnologia não tem um mau intrínseco. Talvez, este nosso Brasil que está digital seja, de fato, mais transparente. Isso significa que somos assim mesmo, gostamos de nos exibir, de falar mal dos outros, fazer piadas de mau gosto, publicar fotos das pessoas sem autorização. Será? Ou a geração Y nacional é que não foi bem orientada, que não conhece as leis, que acha que não vai haver consequências de seus atos?


Temos que preparar melhor nosso novo cidadão da era digital, para gerar a própria sustentabilidade do crescimento econômico do país em um cenário de mundo plano, sem fronteiras. Para tanto, é essencial garantir a segurança das relações, a proteção dos indivíduos. Toda desavença social digital que possa virar uma ação de indenização, que acione a máquina da Justiça, gera prejuízos para toda a sociedade e não só para as partes envolvidas.


Devemos investir em duas políticas públicas digitais: a de educação e a de segurança. No tocante à primeira, deve-se inserir no conteúdo base da grade curricular do ensino fundamental e médio, das escolas públicas e particulares brasileiras, os temas de ética e cidadania digital, que devem tratar sobre:

a) proteção da identidade (contra falsa identidade e anonimato);

b) exercício da liberdade de expressão com responsabilidade (contra os abusos);

c) uso correto de imagens;

d) produção e uso de conteúdos digitais dentro das melhores práticas de direitos autorais (coibir plágio e pirataria). Os jovens precisam aprender como fazer o dever de casa sem copiar o conteúdo alheio!


Quanto à questão da segurança, deve-se por certo criar um time responsável pela vigilância das “vias públicas digitais”, para identificação rápida de incidentes e para aumentar a prevenção. Se o cidadão está na internet, então o poder público e o poder de polícia têm que estar também. Com ambientes preparados, com alta disponibilidade e com medidas que garantam a proteção dos dados dos brasileiros.


O país ficou mais justo através da infovia, onde seus artistas passam a ter alcance mundial. Inclusive, uma pessoa qualquer pode ficar famosa em questão de segundos e, com isso, realizar um futuro sonhado antes restrito a poucos. A mobilidade trouxe mais emprego, mais negócios, e já alcança também as classes C e D.

Permitiu, também, a redução de tarifas e custos, seja pelo uso do Banco pelo celular ou mesmo do acesso aos serviços públicos na internet, mais rápidos, eficientes e com menos burocracia.


A conta ecológica também agradece, pois o uso da Tecnologia da Informação e Comunicações - TIC permite reduzir o uso do papel. Bem como o ativismo ambiental também cresceu nas redes sociais chegando até a se financiar através de doações que ocorrem no modelo comunitário-coletivo do “crowd funding” (financiamento colaborativo). Mesmo a relação do eleitor-candidato ficou direta de fato! E esta memória coletiva, que fica residindo nas redes sociais mesmo após o pleito, é importantíssima para o amadurecimento das escolhas e do próprio exercício do voto. Isso é um ganho!


Claro que o grande investimento em infra-estrutura dos últimos anos foi o que viabilizou um Brasil mais democrático, que permite acesso a informação através de uma internet banda larga. Sem isso, por certo não teríamos incidentes, nem pedidos de retirada de conteúdos do ar. Mas, não podemos gerar analfabetos digitais.

Não é só saber dar “click”, tem que ser educado e praticar o uso ético e seguro.


De todo modo, o mais importante não é ficar pedindo para tirar conteúdo do ar depois que o estrago já está feito, mas saber publicá-lo dentro de um modelo mais avançado de cidadania e respeito. Precisamos deixar de herança a vontade de criar e inovar. O uso do ferramental tecnológico tem que ser utilizado a serviço do bem social.

Dra. Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital, sócia fundadora da Patricia Peck Pinheiro Advogados, autora do livro “Direito Digital”, do áudio-livro e do pocket book “Tudo o que você precisa ouvir sobre Direito Digital”, do áudio-livro “Eleições Digitais” e do áudio-livro “Direito Digital Corporativo”, todos da Editora Saraiva.  -

Twitter: @patriciapeckadv

Wednesday, 9 November 2011

Justiça obriga Vivo a dar informações mais precisas sobre internet 3G

Depois de recorrentes falhas na conectividade, a Vivo foi obrigada pela Justiça nesta quarta-feira a prestar informações mais claras sobre o seu serviço de banda larga 3G.

De acordo com a decisão da 6ª Vara Empresarial, a operadora também deve ressarcir todo dano material ou moral causado ao consumidor que tenha verificado falhas no serviço, além de cumprir qualquer oferta já divulgada ou que ainda será veiculada sobre a internet 3G. Caso contrário, a Vivo terá que pagar multa diária de R$ 50 mil.

A ação foi movida pela 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte (PJDC) e solicitava que a operadora fosse obrigada a informar em seu material publicitário onde a cobertura 3G está sujeita a variações de conectividade em função da disponibilidade e intensidade do sinal. A ação pedia que fossem especificadas quais condições climáticas e geográficas podem causar as variações, além de informar as razões técnicas para a indisponibilidade do serviço em certas localidades.

A Vivo informou, através de nota de sua assessoria de imprensa, que tem conhecimento da decisão mencionada pela reportagem e que está analisando o assunto para tomar as providências cabíveis.

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